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Tem matemática na veterinária?

Uma grande dúvida que todo pré-vestibulando ou estudante de veterinária tem ao entrar no curso é: vou precisar estudar matemática na veterinária? A verdade é que muita gente diz “Ah, eu fiz biológicas porque eu odeio matemática!“, porém essa galera não sabe que existe matemática sim na vet, e que nem sempre ela é tão simples quanto a gente imagina.

Quer dizer, tudo bem, ela não é um bicho de sete cabeças assim, mas exige do estudante muito mais pensamento lógico do que habilidade com números propriamente dita.

O primeiro e maior expoente de matemática que temos na faculdade é a disciplina de Estatística. É o calcanhar de Aquiles de todo estudante de vet: além de fórmulas ridiculamente complexas, dependendo do seu professor você poderá ter problemas se não tiver facilidade com números. Na minha faculdade, por exemplo, nós até podíamos utilizar calculadora científica na prova, mas aí eu te apresento a Casio, um aparelho que eu tenho vontade de jogar na parede nunca mais ver na vida. Como as fórmulas são extremamente difíceis para quem não é matemático, a gente sempre acabava se perdendo nas contas. Para vocês terem noção, tivemos uma aula só para aprender a mexer na calculadora!

Se o seu professor for gente boa e deixar você utilizar programas estatísticos aí a coisa fica mais tranquila, desde que não seja o R Project (ôh programinha!). Ainda assim exige muito estudo, porque cada teste serve para uma análise diferente, e a interpretação exige muito conhecimento.

A dita cuja da Casio. E não, nem tente usar cola na capinha, porque a cola não vai ajudar em nada! hahaha

Outro expoente de cálculos na vet é a disciplina de nutrição/alimentação animal. Para quem pretende trabalhar na área voltada à zootecnia é fundamental, pois é com ela que aprendemos a formular rações e suplementos. O problema é justamente esse: precisamos formular estes alimentos, com índices específicos de proteína, gordura, etc., e não é fácil. Com fórmulas bastante complexas também, existem umas tabelas gigantescas com os nutrientes de cada alimento que precisamos levar em conta. Nas minhas provas também tínhamos que formular tudo a mão, o que era outro martírio. Essa disciplina é bem mais mecânica que estatística, se você entender como faz as contas irá bem, o problema é pegar o feeling da coisa.

Para quem gosta de clínica de grandes ou pequenos, pode ficar mais tranquilo pois a matemática presente é basicamente regrinha de três. Porém, ela não se torna menos importante, pois uma vírgula que você erre poderá colocar a vida do animal em jogo, errando a dose de um medicamento, por exemplo. Por isso, nesse caso, atenção é tudo! Repare nos residentes do seu hospital escola, não é difícil encontrar alguns deles com calculadoras penduradas no pescoço.

A conclusão é que se você não gosta de matemática dificilmente conseguirá fugir dela, independente do curso que escolher. Dos 50 cursos que a UEL tem, por exemplo, apenas letras e direito não possuem estatística na sua grade curricular. 

Mas isso é motivo para desistir do curso? Absolutamente não! A não ser que você pretenda trabalhar com zootecnia, que realmente necessita de cálculos, você precisará apenas de matemática básica. Mesmo para quem trabalha com pesquisa e utiliza a estatística no dia-a-dia, existem programas ótimos que fazem todo o trabalho pesado pra gente. E outra: em todo sonho que você tiver, haverá algum sacrifício, não tem jeito. O que vale mesmo é você lutar de todas as formas por ele, mesmo que tenha que passar por alguns números pelo caminho :).

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Criou o Vet da Deprê em 2011, quando ainda estava na faculdade. Hoje é Mestrando em Ciência Animal pela Universidade Estadual de Londrina. Gosta muito de marketing digital, é cachorreiro nato e não dispensa um bom livro. Instagram: @lgcorsi