O mercado de trabalho na medicina veterinária

De todas as dúvidas que os estudantes de têm, essa é a mais frequente: como está o mercado de trabalho na medicina veterinária? Mas, antes de respondermos estas perguntas, temos que ter em mente alguns pontos muito importantes:

  1. A qual a área que você está se referindo? A nossa profissão é gigantesca, e cada área possui diferentes aspectos em relação à concorrência e remuneração, por isso é complicado compará-las entre si.
  2. Onde você está? Essa pergunta é fundamental, visto que as áreas da vet têm desenvolvimentos diferentes dependendo da região do nosso país.

De qualquer forma, tentei realizar um resumo abaixo sobre as principais áreas da veterinária. Lembrando que esse é o meu ponto de vista, como clínico de pequenos animais. Portanto, se você não concordar, não se exalte, vamos conversar nos comentários! 🙂 Se ainda restar dúvidas, o mais indicado seria você conversar com um profissional atuante na área, afinal, nada melhor do que conversar com os mestres em suas próprias especialidades!

Estágio remunerado durante a faculdade

Em Curitiba, onde fiz o colegial, era relativamente muito fácil achar estágios remunerados, principalmente em universidades e órgãos públicos. Eu mesmo, fiz estágio na gráfica da UTFPR e no Tribunal de Justiça em 2008, na qual ganhava R$ 415,00, salário maior do que a bolsa de iniciação científica do CNPq (R$360,00). Isso na época que não vigorava a lei do estágio. Há alguns meses conversei com alguns estagiários de lá, e eles me informaram que estão tirando em média 800 reais por mês (cara, isso para ensino médio!).
Tomei um baque tremendo quando entrei na veterinária e descobri que nenhum estágio é remunerado, salvo raras exceções. A verdade é que veterinários autônomos ou donos de clínica não podem deixar estagiários realizarem procedimentos invasivos. Isso faz com que seja o próprio veterinário que realiza a maior parte do trabalho que exige conhecimento específico, fazendo com que o estágio seja meramente observatório. Um próprio veterinário me disse uma vez “Para que vou pagar um estagiário? Para ele ficar me olhando fazer as coisas?”.
As alternativas que muitos acadêmicos encontram são: 1) trabalhar fora em um lugar x, como garçom, por exemplo; 2) Conseguir uma bolsa de iniciação científica, projeto de extensão ou de ensino; 3) Criar um blog.

Clínica de pequenos animais

Esta, com certeza absoluta, é a área mais saturada da vet. Também, pudera, com mais de 200 faculdades país a fora, é de se esperar que não haja emprego para todo mundo. Se cada faculdade formar 40 alunos por ano (o que é muito baixo), em um ano temos 8  mil novos veterinários no mercado. Em dois anos, ultrapassariam o número de veterinários presentes hoje no estado do Paraná! Eu sei que essa conta é utópica, mas já mostra um pouco da realidade da profissão, ainda mais porque 70% dos alunos querem clínica de pequenos animais.

As grandes cidades estão muito saturadas de veterinários de animais de companhia. Muito mesmo. Na realidade o difícil não é nem arranjar emprego, mas sim arranjar um emprego decente. A possibilidade que há para quem está se formando agora é a constante atualização. Eu mesmo, não me imaginaria saindo da faculdade sem pelo menos ter feito residência ou até mesmo um mestrado. Acredito que aí seja o ponto forte, já que o mercado não aguenta mais clínicos gerais, mas está clamando por veterinários especialistas.
Muitos veterinários especialistas autônomos estão obtendo sucesso considerável com seu trabalho, percorrendo diferentes clínicas pelas cidades. O único revés é que se tornar especialista custa dinheiro (muito dinheiro), seja com equipamentos ou cursos de pós-graduação.
Outra coisa que vários colegas reclamam muito é a desvalorização do serviço pelos próprios veterinários, vulgarmente falando a “prostituição” da profissão. É de se esperar, visto que muitos vets tentam sobreviver cobrando o mínimo possível, o que acaba se tornando um mecanismo de feedback positivo: quanto mais se “prostitui”, mas prostituída a profissão será. Essa é uma realidade triste, mas que pode ser revertida com a união efetiva da classe aliada à uma maior participação dos CRMVs e sindicatos.

Minha maior dica para quem se formar e quiser trabalhar como clínico é fazer residência. Aliás, minha maior dica para todo mundo é: faça residência. Assim você terá treinamento prático supervisionado e poderá entrar no mercado de trabalho realmente apto para exercer a profissão. Depois que você finalizar sua residência, aí sim procure um curso de especialização propriamente dito. Read more

Deprecast 02 – Os desafios do recém formado

Sejam bem vindos ao Deprecast, o podcast do Vet da Deprê! Podcasts são como programas de rádio, só que disponibilizados online, onde os integrantes podem discutir sobre vários assuntos. E o melhor: vocês podem baixá-los para ouvirem onde quiser!

Neste segundo Deprecast os médicos veterinários Luiz, Humberto, Edgard, João e Isabella discutem sobre os principais desafios do recém formado, desde a escolha da área a seguir até sobre as áreas mais promissoras da medicina veterinária.

A partir de hoje nós pretendemos lançar os podcasts quinzenalmente (eu juro que a gente vai tentar, haha!). Portanto, fiquem de olho, pois sempre vai ter conteúdo novo para vocês às segundas-feiras, :)! Também disponibilizamos o podcast para assinatura no FeedBurner e no Itunes. Os links estão ali embaixo.

Duração: 59 minutos. Data: 17 de julho de 2016.

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(clique com o botão direito do mouse e “salvar como”)

Gostaria de aparecer no próximo programa? Envie um e-mail para contato@54.233.75.223 contando suas experiências quando recém-formado ou comentando alguma coisa relacionado a este programa! Ele poderá ser lido no Deprecast 03!

Citado no podcast:

Médicos e veterinários do bem

Foi publicado no site da ANDA (Agência de Notícias de Direitos Animais) um artigo intitulado como “Médicos ou veterinários do mal?” (clique para ler) onde foi exposta de forma errônea a atuação do Médico Veterinário desde seu trajeto na faculdade até a sua formação e atuação na vida profissional.

O artigo atingiu todos da classe veterinária sem fazer qualquer distinção, apunhalando todos envolvidos na profissão com acusações duras e má formuladas, cheias de ódio, informações e referências erradas. Quem realmente vive e ama a veterinária, ao ler tais barbaridades e insinuações em forma de frases, creio que sentiu no fundo da alma a tristeza que a falta de respeito traz.

Todos pensam que o estudante de medicina veterinária foi induzido a fazer tal faculdade pelo amor que sente pelos animais. Com certeza este fato é muito importante para tal decisão, porém, não é o único. Medicina veterinária é ciência e vai muito além do carinho e do amor pelos cachorrinhos e gatinhos.

vet da depre 1

Fonte: driggsvet.com

Durante a trajetória do curso é muito explanado sobre ética profissional e bioética, inclusive na grade tem um espaço dedicado a essa matéria, que é onde se determina como nós, médicos veterinários, temos que agir racionalmente e prudentemente. Embora cultivamos todo amor, do cuidado e dedicação com os animais, temos uma obrigação que vai além desses sentimentos, que é o respeito e a valorização da vida animal.

Código de Ética do Médico Veterinário é um instrumento normativo do Conselho Federal de Medicina Veterinária – CFMV – que foi feito para adequar o exercício e caráter profissional com direitos e deveres para a prestação de serviço de excelência ao paciente, ao proprietário e à comunidade em geral. A moral do profissional se fundamenta no cumprimento e obediência dessas regras.

Em relação ao artigo da ANDA, citado acima, temos a opinião do blogueiro Humberto Cunha, a seguir, que tem domínio e experiência na área alimentícia, para ressaltar pontos importantes abordados nas declarações feitas pelo autor do artigo:

O escopo do autor, ao redigir o texto, foi simplesmente atacar todos aqueles que vão contra seus princípios ético-profissionais. Se você ainda acha que somos veterinários do mal, façamos a seguinte reflexão:

  • Por um momento imagine que, a partir de amanhã, não houvesse mais médicos veterinários na indústria da carne (criticados pelo autor). Quais seriam as consequências?

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Do abate à docência – relatos de um veterinário

“I’ve had an epiphany!” (Eu tive uma epifania). Essa expressão traduziria muito bem meu atual estado de espírito. Epifania é uma súbita sensação de entendimento ou compreensão da essência de algo. O termo é usado nos sentidos filosófico e literal para indicar que alguém “encontrou finalmente a última peça do quebra-cabeças e agora consegue ver a imagem completa”. O que quero dizer com isso? Essa sensação surgiu dias atrás quando eu refletia sobre o propósito da minha vida, em especial a vida profissional. Acompanhe – me ao longo deste texto e você compreenderá a mensagem final.

“Sou médico veterinário, especializei em ciência avícola, estagiei em vários setores da inspeção de produtos de origem animal, trabalhei por quatro anos em abatedouro – frigorífico de frango e não imaginava o que a vida me reservava. Agradeço todas oportunidades que tive em cada fase acadêmica/profissional e também às pessoas que somaram em meu aprendizado. Eu sempre soube que a área que mais me trazia satisfação, era a ciência e tecnologia de alimentos (carnes). Comecei então a buscar meu espaço dia após dia”.

Foi trabalhando num abatedouro frigorífico que acabei despertando ou redescobrindo um certo dom (adormecido). Em 2012, atuava essencialmente dentro da fábrica e numa certa ocasião, devido reajuste de funcionários, fui convidado a ministrar treinamentos para a equipe do SIF. Passaria tecnicamente de uma importante função de supervisão para funções administrativas. No princípio refutei a ideia, achando tudo isso uma despromoção. Seria normal alguém na minha posição encarar isso como um bom motivo para pedir demissão e buscar uma nova oportunidade, porém não foi isso que aconteceu. Resolvi encarar o desafio, prometendo para mim mesmo que daria o meu melhor. Read more