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Estudantes de veterinária são mais deprimidos do que outros estudantes

Estudantes de medicina veterinária possuem maior probabilidade de lutarem contra depressão do que estudantes de medicina humana, outros estudantes universitários e a população geral, de acordo com diversos estudos colaborativos recentes de pesquisadores da Universidade do Estado do Kansas, EUA.

Estudantes de medicina veterinária possuem maior probabilidade de lutarem contra depressão do que estudantes de medicina humana, outros estudantes universitários e a população geral, de acordo com diversos estudos colaborativos recentes de pesquisadores da Universidade do Estado do Kansas, EUA.

Mac Hafen, terapeuta e instrutor de clínica na Faculdade de Medicina Veterinária do Estado do Kansas, e pesquisadores da Universidade do Kansas, Universidade do Nebraska e Universidade da Carolina do Leste decidiram analisar com maior atenção a depressão e ansiedade entre estudantes de medicina veterinária. Embora a saúde mental de estudantes de medicina humana tenha sida extensivamente estudada, a mesma abrangência de estudos não foi aplicada a estudantes de medicina veterinária. Ademais, a maior parte dos estudos de veterinária relacionados a depressão envolve donos de animais de estimação, e não veterinários ou estudantes.

“Esperamos prever o que contribui para níveis de depressão, para que então possamos intervir e fazer as coisas andarem de maneira mais suave para os próprios estudantes”, disse Hafen, que passou cinco anos pesquisando o bem-estar e saúde mental de estudantes de veterinária.

Uma vez por semestre, os pesquisadores questionaram anonimamente estudantes de medicina veterinária em vários estágios de estudos acadêmicos. A pesquisa permitiu revelar uma taxa de ocorrência de depressão e entender como ela se relaciona com a carga de estresse que estudantes de veterinária enfrentam durante seus quatro anos de estudo.

Durante o primeiro ano de faculdade veterinária, 32 porcento dos estudantes de veterinária questionados demonstraram sintomas de depressão, comparados a 23 porcento de estudantes de medicina humana que demostraram sintomas acima do corte clínico, como demonstrado por outros estudos.

Os pesquisadores também descobriram que estudantes de veterinária passam por maiores taxas de depressão já no primeiro semestre do seu primeiro ano de estudo. As taxas de depressão parecem aumentar ainda mais durante o segundo e terceiro ano de faculdade. Ao longo do quarto ano, as taxas se reduzem aos níveis do primeiro ano.

Hafen declarou que diversos fatores podem contribuir para a elevada taxa de depressão entre estudantes de medicina veterinária. Veterinários lidam com fatores estressantes que médicos humanos não precisam experimentar, como frequentemente discutir eutanásia com clientes. Embora ambos programas de estudo sejam intensos, veterinários devem compreender uma grande variedade de espécies ao invés de focar apenas o corpo humano. Lutas pelo equilíbrio entre trabalho, estudos e vida podem também levar a taxas mais altas de depressão.

Segundo Hafen, diferenças de gênero também possuem um papel, embora tais declarações sejam inconclusivas até agora. Enquanto faculdades médicas estão divididas de maneira praticamente igual entre estudantes homens e mulheres, cerca de 75% dos estudantes de medicina veterinária são mulheres. Estudos nacionais dos EUA indicam que mulheres são de duas a três vezes mais propensas do que homens a sofrer de distúrbios de humor.

Os estudos da equipe de pesquisa descobriu diversos outros fatores ligados à maior ocorrência de depressão, incluindo: angústia por distanciamento de casa; incerteza sobre expectativas acadêmicas; sentimento de não pertencer ou não se encaixar; e saúde física percebida. Os pesquisadores permitiram que estudantes avaliassem a própria saúde física para indicar como se sentiam sobre sua saúde geral. Estudantes que estavam mais contentes com sua saúde física apresentavam menores taxas de depressão.

Mas os estudos apresentam mais do que notícias negativas; elas oferecem intervenções e maneiras das faculdades de veterinária, seu corpo docente e equipe ajudarem estudantes lutando contra depressão e ansiedade. Algumas destas maneiras incluem:

  • Demonstrar expectativas mais claras esperadas dos estudantes de veterinária, principalmente durante o primeiro ano.
  • Promover eventos e organizações que melhoram a saúde física.
  • Ter empatia com os estudantes e suas preocupações com seus estudos.

Os pesquisadores estão otimistas que ajudando os estudantes de medicina veterinária a cuidarem de sua saúde mental, estes estudantes se tornam melhor preparados para lidar com clientes.

“A esperança é que identifiquemos algumas maneiras de aliviar um pouco da depressão e os sintomas de depressão e ansiedade que podem estar acontecendo”, declarou Hafen.

Os pesquisadores já publicaram dois artigos no Journal of Veterinary Medicine Education sobre o trabalho e estão no processo de preparar outra publicação.

Hafen também está trabalhando em outra pesquisa que analisa a perda de animais de companhia. Ele e pesquisadores da Universidade do Nebraska entrevistaram donos de animais que passaram pela perda de um animal de companhia, para melhor entender o processo de luto. Eles continuam a reunir dados empíricos para este estudo e estão analizando os achados.

“Tenho noção do processo de luto pelo meu trabalho clínico pessoal”, declarou Hafen. “Mas queríamos um ponto de vista mais empírico.”

Traduzido e adaptado da Universidade do Estado do Kansas.

Embora o bem-estar estudantil seja esquecido também pelas nossas instituições de ensino, é interessante analisar os possíveis reflexos desta política no comportamento profissional do médico veterinário após sua entrada no mercado de trabalho.

Sucesso!

Fonte: animalmarketing.com.br

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Criou o Vet da Deprê em 2011, quando ainda estava na faculdade. Hoje é Mestrando em Ciência Animal pela Universidade Estadual de Londrina. Gosta muito de marketing digital, é cachorreiro nato e não dispensa um bom livro. Instagram: @lgcorsi