Residência ou mestrado: qual devo escolher?

Embora a resposta seja bastante simples, muita gente ainda tem dúvida sobre a diferença destes dois tipos de pós-graduação: a residência e o mestrado. A verdade é que ambos estão ficando cada vez mais comum em nossa profissão e, para que o profissional se destaque, estes cursos já estão praticamente se tornando obrigatórios. Bom, vamos lá!

Antes de mais nada, eu preciso explicar sobre a diferença entre pós-graduação lato sensu strictu sensuStrictu sensu são aquelas consideradas “estritas” e que valem como título, como o mestrado e doutorado e ao final do curso o aluno receberá um diploma. Já as lato sensu são especializações (incluindo MBA, com carga horária mínima de 360 horas) e, ao final do curso, o aluno recebe um certificado. Read more

O que mais conta no currículo para a prova de residência?

Essa é uma pergunta muito comum entre os estudantes ou médicos veterinários que estão pensando em prestar a prova de residência. Estágios? Publicações? Monitorias? A verdade é que isso varia muito de residência para residência e que, dependendo do programa, você pode ter um currículo invejável e não saber.

Geralmente as provas de residência são realizadas com duas ou três fases: a prova teórica, que funciona como primeira fase e peneira, na qual os alunos que não obtiverem uma nota mínima pré-determinada serão excluídos, assim como a prova do vestibular. Então, os candidatos que passarem são submetidos à entrevista e análise de currículo. Geralmente, estas três etapas possuem o mesmo peso. Read more

Palestra sobre Felinos e bate-papo sobre residência – VeteduKa Talk #01

Há algumas semanas atrás tive a oportunidade de participar de uma experiência muito legal: o VeteduKa Talk! A VeteduKa, que é uma empresa especializada em educação na veterinária, de Curitiba, me convidou para um bate papo muito legal sobre a residência na medicina veterinária. De quebra, ainda assistimos uma palestra incrível da veterinária Carolina Trochmann, com o tema “Obesidade felina: uma morte lenta e silenciosa que deve ser evitada!”.

E adivinha o melhor? Gravamos tudo para vocês! Foi uma experiência muito incrível e espero que todos vocês gostem. Se gostarem, não esqueçam de ir lá na página da VeteduKa e pedir por mais encontros destes! E gente, vou ser sincero, não entendo bulhufas de gatos e nem é muito minha praia, mas confesso que a palestra da Carolina foi a melhor aula de felins que eu já vi. Para quem gosta, é um prato cheio! Os vídeos estão ali embaixo ;).


Espero que tenham gostado! Sugestões para próximos encontros são sempre bem vindas aqui nos comentários e lá na página da VeteduKa! 🙂

Medicina veterinária: profissão “prostituída” ou profissionais pouco qualificados?

Não é novidade para os estudantes e para os médicos veterinários  que a nossa profissão está muito saturada, alguns diriam até mesmo prostituída, principalmente na área de clínica de animais de companhia. Nós já abordamos a situação neste artigo sobre o mercado de trabalho. Também já expressei minha opinião sobre a quantidade exorbitante de cursos de medicina veterinária no país, muitos de qualidade duvidosa (clique aqui para ler). Porém, acabaram de nos questionar: vocês falam muito sobre a degradação da profissão, mas qual solução vocês propõem? A verdade, amigos, é que não existe solução fácil, tampouco de curto ou médio prazo. Apenas resolvi escrever este artigo para reflexão e para que possamos abrir um canal de discussão saudável nos comentários.

A primeira questão que eu reitero é a enxurrada de novos médicos veterinários despejados no mercado de trabalho todos os anos. Não quero entrar no mérito da maior acessibilidade ao ensino superior que o país teve nas últimas décadas, o que é ótimo, mas é evidente que mais de 250 faculdades, formando milhares de profissionais, não contribuiria para melhorar a situação da nossa profissão. E quando eu me refiro à nossa profissão, me refiro principalmente à área de pequenos, que recebe cerca de 60% a 70% destes profissionais. No final das contas, a verdade é uma só: o MEC só quer saber de números, e está pouco se importando com a qualidade do ensino no país.

A partir do momento que nós temos milhares de novos profissionais no mercado, muitos sem formação adequada, estes precisam trabalhar – principalmente aqueles que financiaram parte de sua faculdade e precisam pagar este financiamento, que pode chegar na casa dos 6 dígitos. Aí a bola de neve começa e vários necessitam entrar na corrida dos ratos pela sobrevivência, brigando com colegas por trabalho e, principalmente, por preço. Quem nunca viu um anúncio de emprego para médico veterinário pagando só comissão? Aqui em Londrina mesmo, a média de plantão é cerca de R$150 a R$200, por 12 horas de trabalho! Contei isso para um amigo que faz bicos de garçom e ele riu da minha cara, dizendo que faz isso em uma noite, em 6 horas trabalhadas. O problema não é nem o valor pago, mas é gente se conformando e dizendo “mas tá pagando muito bem, aqui eu trabalho por X…”. Uma coisa eu digo: eu posso até trabalhar por esse salário para sobreviver, mas jamais me conformarei e me contentarei com isso.

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O mercado de trabalho na medicina veterinária

De todas as dúvidas que os estudantes de têm, essa é a mais frequente: como está o mercado de trabalho na medicina veterinária? Mas, antes de respondermos estas perguntas, temos que ter em mente alguns pontos muito importantes:

  1. A qual a área que você está se referindo? A nossa profissão é gigantesca, e cada área possui diferentes aspectos em relação à concorrência e remuneração, por isso é complicado compará-las entre si.
  2. Onde você está? Essa pergunta é fundamental, visto que as áreas da vet têm desenvolvimentos diferentes dependendo da região do nosso país.

De qualquer forma, tentei realizar um resumo abaixo sobre as principais áreas da veterinária. Lembrando que esse é o meu ponto de vista, como clínico de pequenos animais. Portanto, se você não concordar, não se exalte, vamos conversar nos comentários! 🙂 Se ainda restar dúvidas, o mais indicado seria você conversar com um profissional atuante na área, afinal, nada melhor do que conversar com os mestres em suas próprias especialidades!

Estágio remunerado durante a faculdade

Em Curitiba, onde fiz o colegial, era relativamente muito fácil achar estágios remunerados, principalmente em universidades e órgãos públicos. Eu mesmo, fiz estágio na gráfica da UTFPR e no Tribunal de Justiça em 2008, na qual ganhava R$ 415,00, salário maior do que a bolsa de iniciação científica do CNPq (R$360,00). Isso na época que não vigorava a lei do estágio. Há alguns meses conversei com alguns estagiários de lá, e eles me informaram que estão tirando em média 800 reais por mês (cara, isso para ensino médio!).
Tomei um baque tremendo quando entrei na veterinária e descobri que nenhum estágio é remunerado, salvo raras exceções. A verdade é que veterinários autônomos ou donos de clínica não podem deixar estagiários realizarem procedimentos invasivos. Isso faz com que seja o próprio veterinário que realiza a maior parte do trabalho que exige conhecimento específico, fazendo com que o estágio seja meramente observatório. Um próprio veterinário me disse uma vez “Para que vou pagar um estagiário? Para ele ficar me olhando fazer as coisas?”.
As alternativas que muitos acadêmicos encontram são: 1) trabalhar fora em um lugar x, como garçom, por exemplo; 2) Conseguir uma bolsa de iniciação científica, projeto de extensão ou de ensino; 3) Criar um blog.

Clínica de pequenos animais

Esta, com certeza absoluta, é a área mais saturada da vet. Também, pudera, com mais de 200 faculdades país a fora, é de se esperar que não haja emprego para todo mundo. Se cada faculdade formar 40 alunos por ano (o que é muito baixo), em um ano temos 8  mil novos veterinários no mercado. Em dois anos, ultrapassariam o número de veterinários presentes hoje no estado do Paraná! Eu sei que essa conta é utópica, mas já mostra um pouco da realidade da profissão, ainda mais porque 70% dos alunos querem clínica de pequenos animais.

As grandes cidades estão muito saturadas de veterinários de animais de companhia. Muito mesmo. Na realidade o difícil não é nem arranjar emprego, mas sim arranjar um emprego decente. A possibilidade que há para quem está se formando agora é a constante atualização. Eu mesmo, não me imaginaria saindo da faculdade sem pelo menos ter feito residência ou até mesmo um mestrado. Acredito que aí seja o ponto forte, já que o mercado não aguenta mais clínicos gerais, mas está clamando por veterinários especialistas.
Muitos veterinários especialistas autônomos estão obtendo sucesso considerável com seu trabalho, percorrendo diferentes clínicas pelas cidades. O único revés é que se tornar especialista custa dinheiro (muito dinheiro), seja com equipamentos ou cursos de pós-graduação.
Outra coisa que vários colegas reclamam muito é a desvalorização do serviço pelos próprios veterinários, vulgarmente falando a “prostituição” da profissão. É de se esperar, visto que muitos vets tentam sobreviver cobrando o mínimo possível, o que acaba se tornando um mecanismo de feedback positivo: quanto mais se “prostitui”, mas prostituída a profissão será. Essa é uma realidade triste, mas que pode ser revertida com a união efetiva da classe aliada à uma maior participação dos CRMVs e sindicatos.

Minha maior dica para quem se formar e quiser trabalhar como clínico é fazer residência. Aliás, minha maior dica para todo mundo é: faça residência. Assim você terá treinamento prático supervisionado e poderá entrar no mercado de trabalho realmente apto para exercer a profissão. Depois que você finalizar sua residência, aí sim procure um curso de especialização propriamente dito. Read more

Síndrome de Burnout na veterinária (ou como eu quase colapsei)

Quando eu estava no colégio, sempre fui um dos melhores alunos da sala. Nunca tive dificuldades nas provas ou mesmo em passar de ano, bastava ler a matéria uma ou duas vezes que eu ia super bem. Mesma coisa durante o vestibular. Na faculdade eu já não era o melhor aluno da sala, mas ainda assim conseguia me destacar pelo número de projetos e estágios que realizava e era extremamente motivado com tudo isso. Porém, na residência e depois de formado, tudo começou a mudar. 

Após ter me formado e passar na residência, percebi que a vida de apenas “estudar para as provas” havia realmente ficado para trás. Aqui era muito diferente e o nível de cobrança aumentado exponencialmente. Enquanto estudante eu não tinha muitas dificuldades em me sobressair, na residência eu tinha que dar o meu máximo para conseguir competir com meus colegas – e nem sempre eu conseguia. E, veja bem, quando eu digo competição é no bom sentido da coisa, afinal, meus colegas eram médicos veterinários excepcionais e também haviam passado em um dos programas de residência mais concorridos do país. Read more

Quando você lembra que nasceu para ser veterinário

As vezes a gente fica desmotivado com todas as dificuldades da profissão. Principalmente depois de formado, quando você tem que estudar, trabalhar, se manter e ser um bom profissional, com baixa remuneração e reconhecimento. Porém, mesmo com todos esses desafios, existem alguns momentos que mexem com a gente. Alguns momentos na qual sentimos que realmente nascemos para sermos médicos veterinários.

Um deles aconteceu comigo quando ainda estava na residência. Embora eu tenha feito na área de reprodução, lá na UEL os R1 rodam por todas as áreas de animais de companhia e naquela semana eu estava atendendo no pronto socorro. Fomos chamados para atender um filhote de uns 6 meses que havia sido atropelado, e estava com fratura completa de rádio e ulna direitos.

O senhor que o havia levado, e que também o havia atropelado, não era seu dono e o cãozinho havia entrado na frente do seu carro, assustado. Embora não tivesse condições de pagar a cirurgia, estava completamente comovido, convicto de que adotaria o Bob, nome que escolheu para o filhote.

Como seu novo tutor era desafiado financeiramente e o Bob estava com a fratura alinhada, a professora plantonista optou por fazer uma imobilização externa chamada Robert Jones modificada, onde acolchoamos o braço e colocamos uma tala, na tentativa de que a fratura se recuperasse sem intervenção cirúrgica. Em filhotes a cicatrização óssea é rápida e, por isso, estávamos confiantes.

Como ele havia sido atropelado, embora não houvesse sinais de contusão pulmonar ou algo mais sério, lembro que ele acabou ficando internado algum tempo, mas não tive mais contato após isso. Mas uma coisa eu nunca vou esquecer – as palavras da minha professora ao tutor:

“Eu sei que é difícil adotar um animal assim de uma hora para outra, mas de uma coisa você pode ter certeza: ele será grato a você para sempre!”.

Passadas algumas semanas eu estava rodando pelo setor onde eram realizadas as trocas de curativo e talas. Na UEL a casuística de animais que necessitam de curativos diários é enorme, por isso um ou dois residentes ficavam responsáveis apenas por isso. Eis que em um dos retornos chega o Bob, abandando o rabo e pulando como se nada tivesse acontecido, como se aquela tala enorme nem estivesse ali no braço dele. Ah! Esqueci de contar, o Bob era mestiço de labrador, mó bonitão, então vocês podem imaginar a festa que era pra ele! hahaha

Chamei a professora que havia ajudado a gente a atender, repetimos o raio X, e os ossos já estavam praticamente consolidados. Mantivemos a tala mais um tempo apenas por precaução. Mas uma coisa eu não tenho nem como explicar: a alegria do Bob com seu dono e do seu dono como o Bob. O orgulho dele ao falar do Bob era imenso e a gente via o mesmo nos olhos do Bob. Uma alegria singela e simples, apenas por estar ali, com pessoas que queriam o seu bem.

É nessas horas que a gente vê o quão nossa profissão é privilegiada ao nos entregar esses momentos simples, mas fantásticos e cheios de felicidade, que podem parecer bobos, mas que realmente fazem a diferença. São momentos como esse que nos lembram a razão de nos dedicarmos todos os dias, mesmo nas situações mais adversas. São momentos como esse que nos lembram por que decidimos ser médicos veterinários.

Faculdade Pública Versus Particular

De todas as perguntas que me fazem via e-mail, twitter ou facebook, esta com certeza é a mais frequente dentre os vestibulandos não só de veterinária, mas de todos os outros cursos que seguem o blog. Será que a escolha entre uma faculdade pública ou particular poderá realmente influenciar na carreira profissional? Visando esclarecer e desmistificar um pouco mais esta questão, resolvi elaborar um pequeno texto relacionado ao tema, tentando me manter imparcial em todos os aspectos. Espero que possa ser útil a todos os vestibulandos que ainda estão em dúvida sobre qual faculdade escolher.

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Lugares para estudar Medicina Veterinária fora do Brasil

Como todos sabemos, em todas as áreas o mercado de trabalho exige cada vez mais qualificação dos profissionais. E como na Medicina Veterinária nada é fácil, nesse quesito também não seria diferente. As pós-graduações têm sido cada vez mais buscadas por nossos colegas. Existem excelentes opções no exterior, e pra você que tem interesse em buscar seu diferencial fora do país, preparamos uma lista com 6 instituições bem legais, que podem ser ótimas opções, de acordo com seu interesse. Read more

O primeiro diagnóstico a gente nunca esquece!

Fazia muito tempo que eu queria compartilhar com vocês uma coisa que a gente nunca esquece: nosso primeiro diagnóstico. É um sentimento realmente excitante e, quando você consegue chegar lá, por mais simples que seja, aí sim você acha que nasceu pra isso, nasceu pra ser médico veterinário!

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Quando você se forma e se sente uma fraude

Cinco anos de estudo intenso, com noites mal dormidas, livros, artigos, resumos e, enfim, você se forma médico veterinário. Segundo a legislação de nossa profissão, você estaria apto a inspecionar alimentos de origem animal, inspecionar estabelecimentos através da vigilância sanitária, trabalhar em laboratórios de microbiologia, patologia e afins, além de realizar cirurgias e clinicar em pequenos e grandes animais.

Mas o problema é que no primeiro dia após a formatura você não se sente bem. Parece que aqueles cinco anos de estudo passaram em um piscar de olhos, e que você não consegue lembrar de nada do que estudou. Você se pergunta a todo momento se sabe realmente usar aquele estetoscópio Littmann que ganhou de formatura com suor do trabalho de seus pais. Você se pergunta se realmente nasceu para ser médico veterinário. Você se sente uma fraude.

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Dicas para calouros de veterinária

“O que irei estudar no primeiro ano?”

“Não tem nenhuma matéria de veterinária nessa grade curricular não?”

“Nooossaa cara, olha essa pata! Que que é esse líquido, é formol?!”

“Histologia? Isso é de comer?”

Todo mundo quando passa no primeiro vestibular e entra na faculdade fica meio perdido. Eu mesmo senti muita dificuldade em “me encontrar” no primeiro ano de curso. Confesso que boa parte foi devido às festas e mais festas que aproveitei enquanto era calouro, mas percebi que um certo direcionamento poderia me ajudar muito.

Sentindo esta necessidade, resolvi criar um “guia” para os calourinhos do primeiro ano que entram na faculdade e mal sabem o que é um estágio ou não tem ideia do que irão encontrar pela frente durante o curso.

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